Viagra aumenta o desejo sexual feminino? Conheça o perfil de mulheres que começa a receber a medicação off-label para libido
5 reasons to be skeptical of the new "female Viagra" pic.twitter.com/8FuGiZPmYD A falta de desejo sexual feminino não depende exclusivamente de fatores biológicos, a maior parte são
Viagra: para que mais o sildenafil é usado para além da de?
“A aprovação de hoje [dia 18 de agosto de 2015] fornece às mulheres angustiadas com a falta de desejo sexual uma opção de tratamento autorizada”, disse em comunicado de imprensa Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA. “A FDA esforça-se por proteger e promover a saúde das mulheres e estamos comprometidos em apoiar o desenvolvimento de tratamentos seguros e eficazes para a disfunção sexual feminina.” Os ensaios clínicos realizados pelo laboratório Sprout Pharmaceuticals, que incluíram 2.400 mulheres antes de entrarem na menopausa, mostraram que o número de eventos sexuais satisfatórios foi maiores nas mulheres que tomaram flibanserina do que nas que tomaram placebo (comprimido sem medicamento dado com fins sugestivos). Mas a diferença parece pequena: ao longo dos meses de tratamento, as mulheres que tomaram flibanserina tiveram mais 0,5 a 1 encontro sexual satisfatório por mês, contra 0,3 a 0,4 nas mulheres que tomaram placebo. O medicamento que só funcionou em oito a 13 por cento das mulheres, segundo o site Vox, foi classificado de “um afrodisíaco medíocre com efeitos secundários assustadores”, pela diretora do projeto PharmedOut da Universidade de Georgetown, Adriane Fugh-Berman, que estudou a campanha de marketing do flibanserina. No mesmo site lê-se que a farmacêutica não melhorou os resultados desde a recusa em 2013, mas lançou uma forte campanha para acusar a FDA se não se preocupar com a saúde sexual das mulheres. questões psicológicas, como as emoções e pensamentos, a baixa autoestima, as crenças sobre a sexualidade feminina, assim como a relação com o parceiro sexual e com os outros.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Genérico | 200mg | 20 comprimidos | 61.69€ 58.75€ | |
| Cialis Genérico | 2.5mg | 20 comprimidos | 40.73€ 38.79€ | |
| Cialis Original | 20mg | 92 + 4 comprimidos | 377.99€ 359.99€ | |
| Cialis Genérico | 20mg | 120 + 8 comprimidos | 188.15€ 179.19€ | |
| Cialis Genérico | 20mg | 30 + 4 comprimidos | 68.05€ 64.81€ | |
| Cialis Super Active | 20mg | 120 + 16 comprimidos | 382.15€ 363.95€ | |
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| Levitra Genérico | 10mg | 360 + 10 comprimidos | 407.94€ 388.51€ | |
| Viagra Original | 100mg | 48 + 4 comprimidos | 207.15€ 197.29€ | |
| Kamagra | 100mg | 360 + 6 comprimidos | 839.95€ 799.95€ | |
| Cialis Genérico | 10mg | 30 + 4 comprimidos | 63.32€ 60.30€ | |
| Cialis Original | 20mg | 22 + 2 comprimidos | 129.20€ 123.05€ |
E em relação a estes fatores não há nada que um comprimido possa fazer.
| Mecanismo | Local de atuação | Efeito fisiológico esperado | Relevância clínica |
|---|---|---|---|
| Inibição da fosfodiesterase tipo 5 | Tecido erétil clitoridiano | Aumento do GMPc e vasodilatação | Melhoria da ereção clitoridiana |
| Relaxamento do músculo liso vascular | Artérias pélvicas e vaginais | Maior fluxo sanguíneo regional | Aumento da lubrificação vaginal |
| Modulação do óxido nítrico | Endotélio dos corpos cavernosos | Potenciação da resposta ao estímulo sexual | Facilitação da excitação subjetiva |
| Redução do tónus simpático local | Plexo nervoso pélvico | Diminuição da vasoconstrição | Melhoria da vasocongestão genital |
Os problemas biológicos surgem sobretudo na fase da peri-menopausa – quando se iniciam com os primeiros sinais de menopausa – e pós-menopausa, porque é neste período há alterações nas hormonas e no aparelho reprodutor feminino.
Usos médicos
Porquê tanto tempo à espera desta solução? Será que o comprimido cor-de-rosa funciona mesmo? Já se estudaram outras alternativas para mulheres? Viagra azul versus “viagra” rosa: qual a diferença? E outras recomendações para mulheres com falta de desejo sexual?
Qual o efeito do flibanserin?
A empresa farmacêutica norte-americana Sprout Pharmaceuticals conseguiu no dia 18 de agosto de 2015 a aprovação para comercialização, pela autoridade que regula a introdução dos medicamentos no mercado (FDA, Food and Drug Administration), do medicamento flibanserina, sob o nome comercial Addyi. O objetivo deste medicamento é tratar o transtorno de desejo sexual hipoativo (HSDD) – a diminuição do desejo sexual em mulheres que ainda não entraram na menopausa. “HSDD é definida com uma ausência persistente de pensamentos sexuais, de fantasias, de recetividade e vontade de envolvimento em atividades sexuais que causa ansiedade pessoal e nos relacionamentos e não pode ser justificado por outra condição médica ou pelo efeito de outra substância”, referiu o laboratório. Este medicamento é o primeiro no mercado com o objetivo de tratar diretamente a falta de desejo sexual – nenhum dos medicamentos de tratamento de disfunção sexual nos homens têm este objetivo. Flibanserina é recomendado às mulheres na fase de pré-menopausa – que inclui toda a vida sexual da mulher até ao aparecimento dos primeiros sinais da menopausa – que sofra de transtorno de desejo sexual hipoativo. Mas o medicamento já não é recomendado nesta fase da vida das mulheres.
A busca pela 'pílula rosa'
Durante os ensaios clínicos, as mulheres também referiram tonturas, náuseas, fadiga, insónia e boca seca. No site da empresa Sprout Pharmaceuticals lê-se que o medicamento não serve para tratar perda de desejo sexual devido a uma condição médica ou psiquiátrica coexistente, a problemas na relação ou a efeitos secundários de outros medicamentos. @US_FDA approves #flibanserin for female hypoactive sexual desire disorder pic.twitter.com/uJKDo493dK É certo que nenhum medicamento está livre de apresentar efeitos secundários, por isso há que avaliar se os benefícios compensam os riscos. Tendo em conta que uma em cada cinco mulheres referiu ter tido efeitos indesejados e que as melhorias são pouco significativas talvez não se justifique, como argumenta o médico Walid Fouad Gellad, citado pelo site Vox. A FDA aconselha que as mulheres interrompam a medicação se ao fim de oito semanas não notarem efeitos positivos no desejo sexual.
Disfunção erétil
Outro ponto importante é que as mulheres refiram qualquer tipo de alteração, visto que não existem estudos do efeito a longo prazo de um medicamento que deve ser tomado diariamente. O medicamento que agora foi aprovado pela autoridade que regula os medicamento e alimentos nos Estados Unidos (FDA, Food and Drug Administration) já tinha visto o pedido de comercialização recusado duas vezes em 2010 e 2013, por não conseguir demonstrar que realmente resolvia o problema e porque apresentava manifestações severas dos efeitos secundários. “A combinação de uma prova de eficácia não muito robusta e o facto de o perfil de segurança não estar bem caracterizado fez-nos concluir que não estaria pronto para aprovação”, disse Sandra Kweder, vice-diretora do Gabinete de Novos Fármacos da FDA, citada pela NPR. A aceitação de comercialização em agosto de 2015, mediante recomendação de um painel de especialistas, parece ter sido em parte influenciada pelos testemunhos de mulheres que dizem ter sentido melhorias depois de tomarem o medicamento e pela pressão de movimentos que acusam a FDA de não se preocupar o suficiente com a sexualidade feminina. Um deles – Even the Score -, do qual a Sprout Pharmaceuticals faz parte, até preparou um vídeo de agradecimento à autoridade norte-americana. Nestes casos recorre-se ao tratamento hormonal de substituição.
- O sildenafil é por vezes confundido com suplementos alimentares à base de plantas, como o ginseng ou a maca, que são vendidos livremente mas sem eficácia comprovada.
- A disfunção sexual feminina afeta cerca de 40% das mulheres em algum momento da vida, mas a maioria não procura ajuda médica em Portugal por vergonha ou desconhecimento.
- O uso de sildenafil em mulheres com diabetes tipo 2 foi estudado, mostrando benefícios modestos na excitação, mas sem impacto na função sexual global.
- A automedicação com sildenafil comprado ilegalmente online é um problema de saúde pública, pois os comprimidos podem ser falsificados ou conter doses incorretas.
- As consultas de sexologia clínica em hospitais públicos portugueses têm listas de espera longas, o que pode levar algumas mulheres a procurar soluções farmacológicas por conta própria.
“Não se pode pensar que o desejo sexual se esgota em termos biológicos. Pensar assim vai criar uma ilusão que pode resultar em desilusão”, disse Sandra Vilarinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
| Estudo | Ano | Participantes | Resultado principal | Limitação identificada |
|---|---|---|---|---|
| Berman et al. | 2003 | 202 mulheres pós-menopáusicas | Melhoria ligeira na excitação genital | Amostra reduzida e curta duração |
| Caruso et al. | 2004 | 68 mulheres em idade fértil | Aumento do fluxo sanguíneo clitoridiano | Ausência de grupo placebo |
| Nurnberg et al. | 2008 | 98 mulheres com depressão | Melhoria da função sexual global | Efeito confundido pela medicação antidepressiva |
| Basson et al. | 2002 | 781 mulheres com transtorno da excitação | Sem diferença significativa face ao placebo | Heterogeneidade diagnóstica da amostra |
| Leddy et al. | 2009 | 150 mulheres com cancro do colo do útero | Melhoria modesta na lubrificação | Perda de seguimento elevada |
E mesmo que o medicamento potencie a libertação de determinadas hormonas, que podem favorecer o desejo sexual, só por si não é garantia para resolver o problema.
- A investigação sobre o sildenafil feminino foi largamente abandonada após o fracasso de ensaios de fase III, que não mostraram benefícios estatisticamente significativos.
- Em Portugal, o aconselhamento psicológico e a terapia cognitivo-comportamental são frequentemente mais eficazes do que fármacos para perturbações do desejo sexual feminino.
- O sildenafil pode exacerbar enxaquecas em mulheres propensas, devido ao seu efeito vasodilatador.
- Não existem formulações de sildenafil adaptadas à mucosa vaginal, como cremes ou óvulos, que poderiam reduzir os efeitos sistémicos.
- A crença cultural de que a sexualidade feminina deve ser espontânea e não medicalizada influencia a baixa procura por soluções farmacológicas em Portugal.
- O uso de sildenafil em mulheres com historial de abuso sexual deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode reativar traumas sem resolver a causa subjacente.
As interações entre as hormonas e neutransmissores e as células do cérebro, assim como os efeitos que têm, são mais complexos do que os resultados demonstrados.
Será que médicos realmente descobriram uma pílula que aumenta a libido das mulheres?
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1. Posso tomar 2 comprimidos de citrato de sildenafila?
Para mais informação, leia a nossa política editorial O Dr. Daniel supervisiona todos os assuntos clínicos no Treated. Como chefe clínico, apoia o resto da nossa equipa para garantir que tudo o que estamos a fazer é seguro e coloca os pacientes em primeiro lugar. Passa também muito tempo a dar consultas aos pacientes em primeira mão, permitindo-lhe perceber como está tudo a funcionar e o que podemos melhorar. Para mais informação, leia a nossa política editorial As promessas são muitas, mas quais os cuidados a ter? A terapeuta sexual Sandra Vilarinho receia que se tome o comprimido com esperança de resolver a falta de desejo sexual, ignorando o tratamento de outros problemas como excesso de trabalho, depressão ou outras dificuldades na relação.
- O termo "sildenafil feminino" é frequentemente usado de forma incorreta para descrever produtos não regulados vendidos online, que podem conter substâncias perigosas.
- Em Portugal, a venda de medicamentos online só é permitida através de farmácias autorizadas pelo Infarmed, e o sildenafil exige sempre receita médica.
- Não existe evidência científica robusta que comprove que o sildenafil aumenta o desejo sexual feminino de forma isolada.
- A disfunção sexual feminina é complexa e multifatorial, envolvendo componentes psicológicos, hormonais e relacionais que o sildenafil não aborda.
- O uso off-label de sildenafil em mulheres com disfunção sexual associada a esclerose múltipla ou lesões medulares tem sido estudado, mas sem conclusões definitivas.
- Os médicos de família em Portugal não prescrevem sildenafil a mulheres como primeira linha, preferindo abordagens não farmacológicas ou terapêutica hormonal quando indicada.
- O sildenafil pode interagir com medicamentos comuns em mulheres, como contracetivos orais, embora as interações sejam geralmente ligeiras.
- A toma de sildenafil com álcool ou drogas recreativas é particularmente perigosa e pode mascarar problemas de saúde subjacentes.
Pode saber mais sobre a opinião de especialistas portuguesas em relação ao medicamento flibanserina (aqui) ou ver um parecer publicado na revista científica The Journal of the American Medical Association (aqui).
Uso não médico
O medicamento Addyi, que se prevê que comece ser vendido a 17 de outubro, tem um composto que potencia e outro que inibe a ligação da serotonina – a hormona que regula, entre outras coisas, a ansiedade e o humor, mas também a locomoção, a fome e a líbido. Mas, como refere a FDA em comunicado, ainda não foi possível perceber qual o mecanismo pelo qual aumenta o desejo sexual e diminui a ansiedade em relação a isso. See how the 'female Viagra' drug works pic.twitter.com/fb9kzpz3dk A Business Insider referiu que os alvos do flibanserina são dois neurotransmissores (substâncias que transmitem impulso nervoso): a dopamina, que atua na sensação de recompensa e prazer, e a norepinefrina, que controla a atenção e e a resposta ao meio ambiente. No entanto, e como alertou Bernardo Barahona Corrêa, consultor na Unidade de Neuropsiquiatria da Fundação Champalimaud, ainda existem poucas evidências que este fármaco seja realmente eficaz a cumprir o objetivo a que se destina. “Addyi foi aprovado com um estratégia para avaliação e mitigação do risco (REMS), que inclui elementos para assegurar o uso seguro (ETASU)”, referiu a FDA em comunicado de imprensa.
4. Citrato de sildenafila precisa de receita?
Estas medidas foram tomadas devido aos efeitos secundários previstos: pode causar quebras de tensão e perdas de consciência, efeitos que são agravados quando há ingestão de álcool, quando a mulher está a tomar determinados medicamentos ou caso tenha problemas de fígado. O medicamento que promete ser revolucionário vem recheado de avisos e precauções: obriga à prescrição médica e à formação específica e certificação dos profissionais se saúde – médicos e farmacêuticos -, alerta a FDA. “Os doentes e aqueles que prescrevem [o medicamento] devem compreender totalmente os riscos associado ao uso de Addyi antes de considerarem o tratamento”, disse em comunicado de imprensa Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA. Aconselha-se que as mulheres tomem o medicamento ao deitar, para diminuir as consequências dos possíveis efeitos secundários, como hipotensão, síncope ou sonolência. E o preco sildenafil 50 mg consumo de álcool é totalmente contraindicado enquanto a mulher estiver a tomar a medicação.
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